A História da Família Rocha

        DANIEL ROCHA FERREIRA

 

Português de origem francesa veio jovem para o Brasil.

Homem trabalhador, inteligente o empreendedor, grande amigo do Imperador Dom Pedro II.

Tinham, entretanto, divergências quanto ao tratamento que o Imperador massom dispensava às ordens religiosas.

    Em 1855, o Imperador ordenou ao senador José Thomas de Araujo Nabuco, pai de Joaquim Nabuco e Ministro da Justiça, que não deixasse entrar noviços para os mosteiros beneditinos, franciscanos, carmelitas descalças e carmelitas de Santa Thereza d' Avila, que eram as únicas ordens que existiam no país.

    Dom Pedro II e a Imperatriz Thereza Cristina hospedaram-se várias vezes na fazenda do Vovô Daniel, em Rio Novo.

    Vovô Daniel inventou uma máquina de enrolar fumo-de-rolo que era muito apreciado na Europa naquela época. Esse invento facilitou o preparo do fumo e transformou-o num importante produto de exportação do Brasil para Europa.

     O próprio Imperador encomendou lindíssimas latas douradas para valorizar o produto tão apreciado.

    Para demonstrar sou reconhecimento, o Imperador, num belíssimo baile em Petrópolis, condecorou vovó Maria José com uma tiara de ouro maciço, em forma de corrente, feita em Paris e ao vovô Daniel com as comendas de maior valor.

    Até há muito pouco tempo se utilizava esse sistema de enrolar o fumo.

    Vovô Daniel e vovó Maria José constituíram uma família modelo com cinco filhos: Silvério, Martinho, Simpliciano, Otaviano e Auta.

    Vovó criou junto com seus cinco filhos, o tio João Lino da Silveira, seu irmão menor, louro e de olhos claros como ela, bom músico e que tinha a idade de seus filhos. Era uma família muito unida, todos muito inteligentes e preparados.

    Quando vovô Daniel faleceu, seu filho mais velho Silvério Ferreira da Rocha procurou todos os amigos de seu pai para saber se havia alguma dívida ou sociedade. Nada havia a ser liquidado ou sociedade a ser desfeita.

    Silvério Ferreira da Rocha, era homem de grande visão e bom negociante. Tinha uma letra linda! Comprava e vendia pequenas propriedades desde os quinze anos de idade. Apaixonou-se tela vovó Filomena quando ela tinha apenas treze anos e logo se casou. Combinaram que ela ficaria administrando as fazendas, enquanto ele viajaria, em busca de grandes negócios junto com o tio João Lino.

    Chegaram a ser os maiores exportadores de café de Minas e do Espírito Santo.

    A principal grande fazenda que vovô Silvério comprou foi a fazenda da Glória, na divisa do Sobral Pinto com Diamante, junto a Ubá, Minas Gerais. A segunda foi a Fazenda da Colônia, também em Sobral Pinto.

    Com sua fama de bom, negociante e com dinheiro, foi convidado a participar do leilão da Fazenda da Serra em Tombos, Minas Gerais, em poder do Banco do Brasil.

    Arrematou, nesse leilão, mil alqueires de terra que pertenciam à família Vasconcelos que, na época, era dona de quase todo o Largo dos Leões no Rio de Janeiro.

    Na volta para casa, vovô, contentíssimo, disse à sua esposa , vovó Memena, que só havia arrematado aquelas terras porque contava com a ajuda dela.

    Vovó era uma santa e rezava sempre para que seu marido fosse feliz em seus negócios. Administrava a sua parte com energia e caridade. Conhecida como grande doceira o banqueteira, era especialista em fazer diversas qualidades de queijos.

    Vovô Silverio foi chamado a São Paulo para comprar a Companhia Docas de Santos. Achou o negócio interessante e veio ao Rio propor sociedade ao tio João Lino, que imediatamente aceitou. Infelizmente não chegaram a realizar o negócio porque vovô Silverio adoeceu no Rio e ficou em tratamento. Martinho que era seu afilhado e médico, e a vovó Memena movimentaram a classe médica, na tentativa de curar seu querido padrinho e marido. Deus no entanto chamou vovô para o céu com 66 anos. Quis falecer na Fazenda da Serra o foi enterrado em Ubá. Deixou os sequintes filhos: as gêmeas Izaura e Osoria, Onofre, Daniel, Maria Thereza e Sebastião.

    Tenho as mais gratas e doces recordações dos meus queridos avós. Sinto-me um pouco perto dessas histórias, pela convivência que tive com eles. Lembro-me do carinho do vovô com seus netos, das suas muitas histórias, que nos contava, com gosto. Vovó Memena mimosa, rosadinha e carinhosa, nos ensinava a fazer queijos e doces.

    Pertencemos a uma família honrada, de gente inteligente, que só deixou bons exemplos.

    Escrita e cedida por: Zaira de Rezende Lopes filha de Izaura da Rocha Rezende, em Juiz de Fora, 02 de Maio de 1998 - no 1. encontro da Família Rocha.